quinta-feira, 1 de maio de 2008

Quarto fichamento

HOBSBAWM, E.J. “Contra o Inimigo comum”, IN: A Era dos Extremos: O breve século XX 1914 – 1991. Companhia das Letras, 1995.

· Objetivo central do texto: mostrar o contexto geopolítico do nazismo e suas conseqüências nas relações internacionais.

· A mobilização contra a Alemanha nazista foi uma situação histórica excepcional, que possibilitou a aliança entre países de interesses diametralmente opostos,como EUA e URSS.O motivo para isso foi que a Alemanha de Hitler era não só um Estado-nação descontente com sua situação e ávido por tomar de volta o que consideravam como seu de direito,mas um Estado cuja política e ambições eram determinadas por sua ideologia.Até então uma aliança como esta era considerada impossível, e apenas foi viável pois foi baseada na natureza do inimigo, e não na dos aliados.

· A mobilização do potencial de apoio contra o fascismo foi um triplo apelo pela união de todas a forças políticas com o interesse comum de resistir ao avanço do eixo;por uma política real de resistência; e por governos dispostos a executar essa política.Era provável que o apela à unidade antifascista obtivesse respostas rápidas, pois o fascismo combatia todos os tipos de governos liberais, socialistas, comunistas ou democráticos.Mas embora tenha unido as esquerdas, não incrementou sua votação nas eleições, mobilizando mais facilmente as minorias do que as maiorias.

  • Dificuldades para a mobilização contra o fascismo: os diversos países tinham outros interesses que os dividiam.Além de uma relutância geral em entrar em um acordo com a URSS e o medo de uma ameaça comunista, outros fatores como a geografia, história e economia de cada país; a democracia liberal que dificultava a tomada de uma; e as lembranças traumáticas da Primeira Guerra Mundial geravam o receio de uma atitude radical.

  • Política de apaziguamento: fracassou, devido a impossibilidade de negociações com a Alemanha, foi extremamente irrealista para enxergar a situação; foi em parte responsável por começar a guerra em um local e momento desfavorável para todos ( a outra parte da responsabilidade cabe ao próprio Hitler); e dificultou a preparação para a mesma.

  • Guerra Civil espanhola: apesar de a Espanha sempre se manter afastada das políticas do resto da Europa, a guerra atraiu a atenção de diversos países por retratar os principais problemas políticos da época: de um lado democracia e revolução social; do outro, a contra revolução e a reação com influências fascistas.

  • Movimentos de resistência europeus: seu maior significado foi político e moral, sua importância militar foi insignificante e não decisiva (talvez com exceção da Rússia e dos Bálcãs) antes da Itália retirar-se da guerra. Pendiam em geral para a esquerda, devido à internacionalidade do comunismo e a convicção que seus partidários tinham em dedicar suas vidas a uma causa.Contudo, os comunistas não tentaram estabelecer regimes revolucionários em parte alguma.As poucas revoluções que aconteceram (Iugoslávia, Albânia e China) foram feitas contrariando a vontade de Stálin e da URSS.

  • Pós-guerra: todos sabiam que seria impossível voltar ao status quo de antes de 1939.Vitória e mudança social andavam juntas.Apenas na URSS e nos EUA a guerra não trouxe nenhuma mudança social e institucional significante.

  • Tudo o que foi dito até agora se aplica apenas à Europa, em partes ao Japão e à América Latina.Para a maior pare da Ásia, África e mundo islâmico, o maior inimigo era o “imperialismo”, ou “colonialismo”.Como as principais potências imperialistas eram os países liberais, as lutas anticolonialistas e antifascistas tendiam a tomar rumos opostos.Mas por que a maior parte dos movimentos de libertação se inclinaram para a esquerda e não para os regimes fascistas?Responde-se a esta pergunta observando que a maior parte destes movimentos foi iniciada por minorias atípicas da população, não interessadas em preceitos fascistas como o racismo; e por intelectuais que haviam estudado na Europa, e que, portanto, se sentiam mais à vontade no ambiente não racista e anticolonial dos liberais, democratas, socialistas e comunistas.Além disso, a esquerda internacional era a principal fomentadora das idéias e políticas antiimperialistas.

No entanto, o comunismo conseguiu poucas vitórias nos movimentos libertadores, a nas ser nos casos como o da China, em que o antifascismo coincidia com a libertação nacional.

· No fim, durante todos os seus anos de duração, o fascismo não tinha mobilizado nada além de seus países de origem e umas poucas minorias de direita radical, conseguindo apenas alguns fracos aliados.Com sua derrota, todos os seus apoios foram perdidos. O antifascismo, por outro lado, conseguiu uma união de forças positiva e duradoura, pelo menos em termos.

Sem o fantasma do fascismo para os unir, capitalismo e comunismo voltaram a se enfrentar.

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